Com o nascer de um novo dia, ele prometeu tentar mudar. Acordou na quinta-feira disposto. Seguiu até o banheiro, tomou seu banho e se vestiu. Foi trabalhar. Tentou ocupar a cabeça com coisas triviais do dia-a-dia, como arrumar o quarto, comprar pilhas para o controle remoto da televisão, começar a tão prometida academia. A manhã parecia se arrastar junto com os pensamentos. Por mais que ele tentava esquecer o dia anterior, não conseguia. Sem perceber ele se lembrava de frases ditas e dos abraços. Sentia um aperto no coração cada vez que revivia tudo que passaram juntos. A cada final de relacionamento ele tentava esquecer procurando outro amor, mas dessa vez era diferente. Ele sabia que não queria esquecer de nada. Talvez nunca mais sentiria aquilo por ninguém. A hora do almoço chegou com um grande rangido de seu estômago. Ele foi para casa e comeu. Tinha algumas coisas para fazer, mas um imprevisto aconteceu. Ele queria ter certeza se tudo o que sentia era real, e decidiu então fazer uma visita surpresa.
Entrou no carro e dirigiu. A música do rádio era abafada por pensamentos desconexos do que ele pretendia dizer e fazer. Chegou no local. Desligou o carro e saiu. Ficou em pé diante do portão. Hesitou em chamar. Mas sua presença já havia sido denunciada pelos cachorros. Uma janela se abre.
“Olá. Você por aqui!”
“Resolvi lhe fazer uma surpresa.”
“Entra aí. Estou vendo filme com a minha mãe.”
Ele entrou. Cumprimentaram-se meio sem jeito. Um abraço esquisito. Ele sentou no sofá. Uma mulher, beirando os 37 anos, estava deitada em um sofá rindo do que passava na televisão. Ele permaneceu imóvel até o filme acabar. Pensava o que estaria ele fazendo ali. Queria realmente provar o que estava sentindo ou queria se machucar mais?
Tinha medo da resposta. Com a televisão desligada uma nova programação em seu dia surgiu: ir até o shopping fazer compras! Esperou todos ficarem prontos e saíram.
No shopping, como de costume, ele estacionou longe da entrada. Andaram todos calados ruma a porta de vidro. Entraram. O local estava cheio de gente. Eles andaram por inúmeras lojas e não acharam nada. Saíram de lá com apenas dois cd’s. Foi embora para casa. Não demorou muito e dormiu.
Sexta amanhecia vagarosamente. O frio havia chegado de vez na cidade. O sol relutava em se esconder por detrás da neblina que ainda cobria o setor. O celular em seu quarto tocava a exatos 2 minutos sem parar. A preguiça e o sono invadiram seu corpo. Arrastou-se para o banheiro. Foi trabalhar depois de tomar duas cápsulas de pó de guaraná. Depois que o sol resolveu sair, a manhã passou incrivelmente rápido. Talvez por trabalhar demais, ele não teve a oportunidade de ficar pensando no que tinha acontecido. Foi para casa. Resolveu que naquele dia não faria nenhuma ligação. Sentou-se no sofá e ligou a televisão.
O escuro envolveu seus olhos, e deixou-se cair no sono. Sentados no chão, a televisão ligada. Primeiro encontro oficial em sua casa. Ainda estavam se conhecendo. Um filme de terror fez o tempo passar mais rápido. Durante a projeção, eles se mexiam em cima do tapete, se aproximavam e logo se afastavam com vergonha. Dedos se tocavam, talvez sem querer, quem sabe seria coincidência. Olhares se encontravam. Risos. Três filmes depois, eles estavam sentados e pensando no que fariam no dia seguinte.
Telefone toca. Ele acorda assustado. Por que sonhara com aquilo? Não fazia o menor sentido. Tinha acontecido, mas porque reviver isso agora? Telefone continuou tocando. Como conseguia se lembrar de tudo com tanta riqueza de detalhes? Será que surgira interesse desde o primeiro encontro? Ele se deu conta que o telefone ainda tocava. Atendeu.
“Estava dormindo?”
“Não”
Um amigo resolveu ligar em plena sexta-feira de tarde para ouvir um pouco de música no final da noite. Pouco animado, o que não é de costume, ele dispensou o programa, e terminou o seu dia sentado no sofá.
Vários dias se passaram e nada parecia mudar. Seu sentimento ainda permanecia o mesmo. A alegria que por tantas vezes sentira, era preenchida por um enorme vazio. Ele sabia exatamente quando sentira aquilo pela última vez. Sabia como tinha terminado.
(Flashback)
3 de agosto de 2003
O som do sino anunciou a última aula. Passos eram escutados do outro lado da sala. Ele já havia guardado seus materiais, mas uma senhora magra com óculos que colocavam respeito não o deixou sair. Seus dedos batiam na mesa. Seus colegas estavam terminando de apresentar um trabalho.
- Bem é isso. – concluiu o aluno.
Ele se levantou, tacou a mochila nas costas e saiu correndo da sala. Desceu as escadas mais rápido que o normal. Correu pelas ruas do centro da cidade. Conseguiu chegar a tempo de entrar no ônibus. Algum tempo depois ele já estava parado em frente a uma outra escola esperando por ela. Seus olhos brilhavam tamanha era a vontade de vê-la novamente. Sorria como uma criança que ganha um presente novo. Mas seu coração estava apertado.
(Fim do Flashback)
Na semana seguinte, ele já estava se recuperando. Tudo estava voltando ao normal. Foi para casa. Entrou pelo portão, colocou a chave na fechadura. Rodou. Entrou. Deixou seus pertences em cima do sofá como de costume e ligou o computador. Acessou sua página de recados. Melhor se não o tivera feito. O único recado que ele não esperava estava lá.
“Não parei de pensar em você esses dias. Estou com saudades!”
Seria verdade? Quer dizer, depois de tudo que aconteceu. De todas as palavras ditas. Estaria mesmo com saudades? Ele jamais saberia ao certo. Respondeu ao recado.
“Se quiser vir aqui em casa de tarde. Não tem ninguém.”.
Após algumas horas a campainha toca. Não demora muito e os dois já estão se abraçando. Ele prometeu a si mesmo que iria esquecer. Que iria mudar. Mas sua vontade de amar era mais forte e ele caiu novamente em tentação. Sabia que ia se machucar novamente, mas para ele não fazia mal. Tudo que ele queria era um pouco de afeto.
“Você sabe que eu te amo né?”
“Ama mesmo?” – ele perguntou brincando.
“Amo sim.” – respondeu.
“Ama como você seus amigos?”
“Não. Te amo mesmo.”
(Flashback)
Os alunos pareciam ter acabado de sair da sala. E uma menina em especial veio andando em sua direção séria. Eles se abraçaram. E caminharam para o restaurante mais próximo. Sem uma palavra de afeto, sem um beijo, eles terminaram de almoçar. A essa altura ele já tinha a certeza de que algo estava errado. Mas não tocou no assunto. Ele pagou a conta e voltaram para escola.
“Você está bem?” – ele não resistiu a pergunta.
Continuaram a caminhar devagar até que ele escutou uma voz bem fraca.
“Eu quero que você saiba que eu te amo.”
“Mas...?” – ele puxou sabendo que aquilo não era tudo.
“Mas eu não vou mais namorar você”
Ele recebeu aquela noticia de forma tão seca que ficou em silêncio por algum tempo.
“E por quê?” – perguntou triste.
“Porque eu gosto de outro.”
Atravessaram a rua movimentada como quem flutua. Ele já não pensava com lógica. Queria apenas entender o porque aquilo estava acontecendo.
“Mas você disse que me amava.”
“E amo. Mas amo mais o outro.”
“Vocês já estão juntos?”
“Não. Queria resolver contigo antes”.
Seria verdade tudo aquilo que estava acontecendo. Será que ela seria mais feliz com o outro? Era com ele que ela queria ficar? Mas e esse amor que ela dizia sentir? Eles chegaram na porta da escola. Abraçaram-se dolorosamente. Se despediram. Ele se virou e foi embora. O coração estava machucado.
(Fim do Flashback)
O silêncio permaneceu no ar após a declaração. Estaria ele passando por tudo de novo? Ele estava preocupado se esse amor iria durar por muito tempo. Mas essas palavras mexiam com ele.
“Eu te amo”
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Tudo sempre volta... que pena
Postado por Mr. Kinney às 14:03
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2 comentários:
oO
Ô colega.
eseriomesmo.blogspot.com
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