terça-feira, 9 de setembro de 2008

Tudo sempre volta... que pena

Com o nascer de um novo dia, ele prometeu tentar mudar. Acordou na quinta-feira disposto. Seguiu até o banheiro, tomou seu banho e se vestiu. Foi trabalhar. Tentou ocupar a cabeça com coisas triviais do dia-a-dia, como arrumar o quarto, comprar pilhas para o controle remoto da televisão, começar a tão prometida academia. A manhã parecia se arrastar junto com os pensamentos. Por mais que ele tentava esquecer o dia anterior, não conseguia. Sem perceber ele se lembrava de frases ditas e dos abraços. Sentia um aperto no coração cada vez que revivia tudo que passaram juntos. A cada final de relacionamento ele tentava esquecer procurando outro amor, mas dessa vez era diferente. Ele sabia que não queria esquecer de nada. Talvez nunca mais sentiria aquilo por ninguém. A hora do almoço chegou com um grande rangido de seu estômago. Ele foi para casa e comeu. Tinha algumas coisas para fazer, mas um imprevisto aconteceu. Ele queria ter certeza se tudo o que sentia era real, e decidiu então fazer uma visita surpresa.

Entrou no carro e dirigiu. A música do rádio era abafada por pensamentos desconexos do que ele pretendia dizer e fazer. Chegou no local. Desligou o carro e saiu. Ficou em pé diante do portão. Hesitou em chamar. Mas sua presença já havia sido denunciada pelos cachorros. Uma janela se abre.

“Olá. Você por aqui!”
“Resolvi lhe fazer uma surpresa.”
“Entra aí. Estou vendo filme com a minha mãe.”

Ele entrou. Cumprimentaram-se meio sem jeito. Um abraço esquisito. Ele sentou no sofá. Uma mulher, beirando os 37 anos, estava deitada em um sofá rindo do que passava na televisão. Ele permaneceu imóvel até o filme acabar. Pensava o que estaria ele fazendo ali. Queria realmente provar o que estava sentindo ou queria se machucar mais?

Tinha medo da resposta. Com a televisão desligada uma nova programação em seu dia surgiu: ir até o shopping fazer compras! Esperou todos ficarem prontos e saíram.
No shopping, como de costume, ele estacionou longe da entrada. Andaram todos calados ruma a porta de vidro. Entraram. O local estava cheio de gente. Eles andaram por inúmeras lojas e não acharam nada. Saíram de lá com apenas dois cd’s. Foi embora para casa. Não demorou muito e dormiu.

Sexta amanhecia vagarosamente. O frio havia chegado de vez na cidade. O sol relutava em se esconder por detrás da neblina que ainda cobria o setor. O celular em seu quarto tocava a exatos 2 minutos sem parar. A preguiça e o sono invadiram seu corpo. Arrastou-se para o banheiro. Foi trabalhar depois de tomar duas cápsulas de pó de guaraná. Depois que o sol resolveu sair, a manhã passou incrivelmente rápido. Talvez por trabalhar demais, ele não teve a oportunidade de ficar pensando no que tinha acontecido. Foi para casa. Resolveu que naquele dia não faria nenhuma ligação. Sentou-se no sofá e ligou a televisão.

O escuro envolveu seus olhos, e deixou-se cair no sono. Sentados no chão, a televisão ligada. Primeiro encontro oficial em sua casa. Ainda estavam se conhecendo. Um filme de terror fez o tempo passar mais rápido. Durante a projeção, eles se mexiam em cima do tapete, se aproximavam e logo se afastavam com vergonha. Dedos se tocavam, talvez sem querer, quem sabe seria coincidência. Olhares se encontravam. Risos. Três filmes depois, eles estavam sentados e pensando no que fariam no dia seguinte.

Telefone toca. Ele acorda assustado. Por que sonhara com aquilo? Não fazia o menor sentido. Tinha acontecido, mas porque reviver isso agora? Telefone continuou tocando. Como conseguia se lembrar de tudo com tanta riqueza de detalhes? Será que surgira interesse desde o primeiro encontro? Ele se deu conta que o telefone ainda tocava. Atendeu.

“Estava dormindo?”
“Não”

Um amigo resolveu ligar em plena sexta-feira de tarde para ouvir um pouco de música no final da noite. Pouco animado, o que não é de costume, ele dispensou o programa, e terminou o seu dia sentado no sofá.

Vários dias se passaram e nada parecia mudar. Seu sentimento ainda permanecia o mesmo. A alegria que por tantas vezes sentira, era preenchida por um enorme vazio. Ele sabia exatamente quando sentira aquilo pela última vez. Sabia como tinha terminado.

(Flashback)

3 de agosto de 2003

O som do sino anunciou a última aula. Passos eram escutados do outro lado da sala. Ele já havia guardado seus materiais, mas uma senhora magra com óculos que colocavam respeito não o deixou sair. Seus dedos batiam na mesa. Seus colegas estavam terminando de apresentar um trabalho.

- Bem é isso. – concluiu o aluno.

Ele se levantou, tacou a mochila nas costas e saiu correndo da sala. Desceu as escadas mais rápido que o normal. Correu pelas ruas do centro da cidade. Conseguiu chegar a tempo de entrar no ônibus. Algum tempo depois ele já estava parado em frente a uma outra escola esperando por ela. Seus olhos brilhavam tamanha era a vontade de vê-la novamente. Sorria como uma criança que ganha um presente novo. Mas seu coração estava apertado.

(Fim do Flashback)

Na semana seguinte, ele já estava se recuperando. Tudo estava voltando ao normal. Foi para casa. Entrou pelo portão, colocou a chave na fechadura. Rodou. Entrou. Deixou seus pertences em cima do sofá como de costume e ligou o computador. Acessou sua página de recados. Melhor se não o tivera feito. O único recado que ele não esperava estava lá.

“Não parei de pensar em você esses dias. Estou com saudades!”

Seria verdade? Quer dizer, depois de tudo que aconteceu. De todas as palavras ditas. Estaria mesmo com saudades? Ele jamais saberia ao certo. Respondeu ao recado.

“Se quiser vir aqui em casa de tarde. Não tem ninguém.”.

Após algumas horas a campainha toca. Não demora muito e os dois já estão se abraçando. Ele prometeu a si mesmo que iria esquecer. Que iria mudar. Mas sua vontade de amar era mais forte e ele caiu novamente em tentação. Sabia que ia se machucar novamente, mas para ele não fazia mal. Tudo que ele queria era um pouco de afeto.

“Você sabe que eu te amo né?”
“Ama mesmo?” – ele perguntou brincando.
“Amo sim.” – respondeu.
“Ama como você seus amigos?”
“Não. Te amo mesmo.”

(Flashback)

Os alunos pareciam ter acabado de sair da sala. E uma menina em especial veio andando em sua direção séria. Eles se abraçaram. E caminharam para o restaurante mais próximo. Sem uma palavra de afeto, sem um beijo, eles terminaram de almoçar. A essa altura ele já tinha a certeza de que algo estava errado. Mas não tocou no assunto. Ele pagou a conta e voltaram para escola.

“Você está bem?” – ele não resistiu a pergunta.

Continuaram a caminhar devagar até que ele escutou uma voz bem fraca.

“Eu quero que você saiba que eu te amo.”
“Mas...?” – ele puxou sabendo que aquilo não era tudo.
“Mas eu não vou mais namorar você”

Ele recebeu aquela noticia de forma tão seca que ficou em silêncio por algum tempo.

“E por quê?” – perguntou triste.
“Porque eu gosto de outro.”

Atravessaram a rua movimentada como quem flutua. Ele já não pensava com lógica. Queria apenas entender o porque aquilo estava acontecendo.

“Mas você disse que me amava.”
“E amo. Mas amo mais o outro.”
“Vocês já estão juntos?”

“Não. Queria resolver contigo antes”.
Seria verdade tudo aquilo que estava acontecendo. Será que ela seria mais feliz com o outro? Era com ele que ela queria ficar? Mas e esse amor que ela dizia sentir? Eles chegaram na porta da escola. Abraçaram-se dolorosamente. Se despediram. Ele se virou e foi embora. O coração estava machucado.

(Fim do Flashback)

O silêncio permaneceu no ar após a declaração. Estaria ele passando por tudo de novo? Ele estava preocupado se esse amor iria durar por muito tempo. Mas essas palavras mexiam com ele.

“Eu te amo”

terça-feira, 15 de julho de 2008

1ª Temporada 3º Episódio - Nem tudo muda...

Ooo wah, ooo wah cool, cool kittyTell us about the boy from New York CityOoo wah, ooo wah c'mon kittyTell us about the boy from New York City


O sol nascia atrás de enormes arranha-céus. As avenidas começavam a mostrar alguns movimentos. Manhattan estava de fato acordando! Pessoas começavam a andar por entre os edifícios em um ritmo frenético. Limusines enfeitavam ainda mais as largas ruas. As janelas do topo do Empire States refletiam os primeiros raios solares que New York recebia. Um táxi para em frente de um prédio, e ele desce de dentro do carro amarelo. Pega a carteira e paga a corrida. O motorista abre a boca, mas ao invés de uma voz, eis que sai o barulho de um bip...

Ele acorda com um estranho pressentimento. Desliga o celular. Pensa em várias oportunidades de continuar deitado em sua cama. Afinal de contas sua vida andava uma total bagunça. Ele ergueu o tronco, sentou próximo à cabeceira da cama. Fez o sinal da cruz e foi em direção ao banheiro. Pelo corredor ele foi tateando as paredes no escuro, o sol ainda não havia saído por completo. Chegou no banheiro, tirou a roupa, e ligou a ducha. A água quente escorria por seu corpo. O vapor de água preenchia o banheiro. O sonho ainda claro em sua cabeça o fazia sorrir. Desligou a ducha, se enrolou na toalha e saiu correndo pela casa para fazer o frio passar. Chegou no quarto e deitou nu por debaixo das cobertas. Podia ficar ali por mais alguns minutos.

Quinta-feira começara oficialmente quando ele entrou em se carro e foi trabalhar. Acostumado com as ruas que percorria, foi devagar para aproveitar um pouco da preguiça. Só conseguia pensar que poderia dormir pela tarde. A manhã passou rápido, como de costume. Chegou em casa ainda cedo. Almoçou e resolveu ver um filme. Sua mão hoje não tocaria naquele telefone. Terminou o segundo filme. Estava na hora de ir para a faculdade entregar um trabalho e ter as merecidas férias. Chegou na faculdade e encontrou sua grande amiga Lídia. Conversaram por um bom tempo. Mas a pergunta que ele temia que alguém fizesse aconteceu.

“Você está realmente bem?”, perguntou preocupada.
“Estou sim.”
“Sabe que pode conversar comigo sobre tudo, não é?”
“Acho que sei.”
“Não há nada que não esteja ruim o suficiente, cabe a gente tentar melhorar as coisas e permitir ser melhorado.”.

Lídia sempre sabia o que falar para confortar o coração daquele pobre rapaz angustiado. Despediu com um abraço doloroso, e foi para sala de aula entregar o trabalho.
Dirigiu até em casa. Chegou cansado e resolveu dormir. Já era um pouco tarde, quando misturado aos seus sonhos ele escuta o barulho de seu celular. “Merda, nem descansei e já tenho que acordar”, resmungou. Abriu um olho pegou o aparelho e para sua surpresa era uma mensagem. Ele viu o número de onde viera a mensagem. Hesitou. Não sabia se queria alguma noticia àquela hora. E se não conseguisse dormir depois?
A curiosidade falou mais alto. Ele pegou o celular e viu.

“Pensei em você hoje. Amanhã vou ver se posso ir ai. Ok? Beijo”

Ele ficou encarando a mensagem. Seria verdade aquilo que estava escrito? Ou era só algum tipo de truque. De noite ele pensava coisas mirabolantes sobre sua vida. Os piores pensamentos sempre aconteciam durante a noite...

(Flashback)

Era madrugada de sábado. O Parque Flamboyant estava praticamente vazio. Eles caminhavam pela estrada que cortava o parque. Conversando sobre assuntos diversos. Era a primeira vez que saiam depois de ter a primeira discussão. Era para ser uma noite triste, mas eles souberam torná-la feliz.
Sentaram em uma casinha que ficava em cima de dois escorregadores. Lá contaram fatos e histórias de suas vidas. Conheceram-se melhor. A cada fim de caso, um estranho silêncio preenchia o ambiente. Se abraçaram lá em cima.

(Fim do Flashback)

A chegada de uma outra mensagem fez seus pensamentos voltarem para o presente.

“Ainda acordado? Não consegue dormir?... Senti muito sua falta hoje!”

Seu ponto fraco tinha sido atingido pela segunda vez. Ele mais do que ninguém adorava receber esse tipo de mensagem durante a noite. Respirou fundo e procurou ser racional. Enviou uma mensagem bem seca e sem muitos mimos, não que não quisesse, mas estava tentando ser racional. Voltou a dormir. Sonhou com pessoas. Diversas delas. Todas andando em uma só direção. Não conseguia ver o que era e para onde iam.

Sexta-feira. No trabalho ele parecia deslocado e desajeitado. A manhã demorou a passar. Antes de sair do serviço resolveu fazer uma ligação.

“Olá”, cumprimentou.
“Como você está?” (Porque todos faziam essa pergunta a ele?)
“Estou bem. O que você vai fazer hoje?”
“Terminar de limpar a casa. Por quê?”
“É que recebi suas mensagens e achei que a gente poderia fazer algo hoje.”
“Como o que?”
“Ir ao cinema, por exemplo.”
“Ok.”

Ao desligar o telefone ele se sentiu feliz e ao mesmo tempo apreensivo. Não queria ter aquele tipo de conversa novamente perto do fim de semana. Foi embora. Chegou em casa e se deitou na esperança do dia passar mais rápido. Chegou a noite. Ele levanta da cama. Toma um banho. Faz a barba. Coloca uma roupa. Passa um perfume. Pega as chaves do carro em cima da mesa. Entra no carro. Coloca uma música animada e vai para o shopping.
Ao chegar lá eles se encontram. Compram o ingresso do filme e caminha para fora do shopping. Sentados em uma mureta ele conversam.

“O que você está pensando?”
“Que está frio.” (Ele não queria ter nenhuma conversa séria aquela noite.)
“Eu falo sério”

Silêncio.

“Eu recebi as suas mensagens”
“E...?”
“E eu também fiquei com saudades suas”
“Meu coração estava apertado...”
“Está melhor agora?”
“Acho que sim”

O filme começou e eles se deram as mãos, durante todo o filme. Ao final da sessão parecia estar tudo bem. Resolveram passar em algum lugar para comer antes de irem para casa. Comeram. Mas a noite insistia em não acabar. Eles resolveram ir para o lugar secreto, onde se ouvia apenas o barulho de água. Queriam conversar.
Ele mal desligou o carro, e já se abraçaram. Nenhuma palavra foi dita. Apenas um abraço de saudade. Forte. Nessa noite se amaram, de novo.

O final de semana se anunciou com as primeiras palavras de inglês que ele falava na escola de línguas. Sábado costumava ser um dia muito bom. Mas nesse algo estava estranho. Ele chegou em casa e deitou no sofá esperando que aquela tristeza passasse. Não passou. O que passou foi o dia. A noite chegou e ele foi ao aniversário de uma prima. Ficou olhando o celular a toda hora esperando alguma ligação ou mensagem. E de repente chega.

“Sei que combinamos de sair hoje, mas minha mãe quer que eu fique aqui com ela. Amanhã a gente faz alguma coisa”.

(Flashback)

Desceram da casa em que estavam. Ficaram em cima da ponte olhando a água passar por baixo. Eles gostavam disso. De sentir um contato maior com a natureza. Conversaram sobre espíritos e fantasmas. Histórias assustadoras. E conversaram também sobre eles.

“Você pensa em mim?”, perguntou temendo a resposta.
“Penso. Todo dia”.

Ele ouviu algo que pensava que jamais poderia acontecer. Ninguém nunca tinha dedicado algum tempo para pensar nele. Aquele momento foi único em sua vida. E uma alegria encheu seu peito.

(Fim do Flashback)

O domingo chegou e foi embora com a mesma rapidez. Talvez pelo fato de terem passado juntos. E logo chegou a segunda-feira.

Segunda-feira vazia, na vida e no serviço. Nada aconteceu.
Terça-feira parecia estar igual, mas a noite recebeu um convite de ir ver filme. Durante o filme que passava na tv, eles ficaram desconcertados. Ele sabia que algo de ruim estava para acontecer. E quando se levantou para ir embora ele escutou o que não queria.

“Nós devemos ser só amigos agora!”

Tentou argumentar. Tentou mudar as coisas, mas já parecia estar tudo decidido. Nada do que ele falava parecia fazer diferença. Foi para casa triste. Entrou no quarto e deitou do jeito que estava.

Ele acordou na quarta-feira com o corpo doendo de frio. Tinha dormido com a porta aberta, e sem se cobrir. Foi trabalhar com um olhar triste em seu rosto. Estava percebendo que talvez devessem ser apenas amigos. O tempo passou devagar. Ele chegou em casa e deitou no chão. Almoçou pouco. Ainda estava pensativo quando se deu conta da hora. Pegou o telefone. Discou.

“Alô?”
“Sou eu. Vamos ao Parque Flamboyant?”

Já estava escuro quando eles sentaram em um banco para ler um livro. “Numerologia”. Leram seus nomes e fizeram algumas mudanças. Riram como se nada tivesse acontecido. E de repente se ouve.

“O que eu falei ontem é verdade. Seremos apenas amigos”

Ele acendeu um cigarro. Tinha que pensar. E isso ajudava e muito.

“É isso então que você quer?”

O silêncio que permaneceu já parecia ter dado a resposta.

“Eu tenho que te falar que não é isso que eu tinha na cabeça, mas se você quer que seja assim... é assim que vai ser. Eu me sinto bem só de estar perto de ti.”, ele declarou.
“Mas eu não quero que você mude comigo”

“Vamos a um lugar. Quero te mostrar algo.”

Ele sentou no banco do carro. Colocou o sinto. E dirigiu até uma rua escura onde por duas vezes choraram. Ele estacionou o carro. Tirou o sinto. Abraçaram-se. Ele se deitou dentro do carro.

“Nada vai mudar.”

Ali ficaram abraçados, com o som de grilos ao fundo, latido de cachorro. Mas o mundo para ele estava parado, pois só havia os dois dentro do carro. A Lídia estava certa mais uma vez. Devemos permitir as mudanças...


quinta-feira, 3 de julho de 2008

1ª Temporada 2º Episódio - Por que é tão difícil de entender?

Sábado chegou com uma estranha rapidez e manhã gelada. Ele já dirigia o carro para aula de inglês. Parecia dar a volta em Goiânia, enquanto idéias rodeavam sua cabeça. "Como seria o final de semana?", "Sobreviverei ao domingo?". O caminho pareceu peculiarmente pequeno nesse dia. Aula dada, hora de voltar para casa. O dia se arrastava, e uma sombra misteriosa pairava no ar. "O que acontece agora fora de casa?", pensava. Se a menina de fato já tinha chegado, ela já estaria andando pela cidade. "Estaria sozinha?". A noite custou, mas chegou. Festa na casa do vizinho. Festa junina. "Odeio essa data!", refletiu diante uma camisa xadrez que teria que usar. Vestiu. Sentou-se na cama, pegou o celular e discou o número. A tecla de chamar parecia estar bloqueada em sua cabeça. Parou. Pensou. Ligou.
"O convite para sair ainda está de pé?"
“Como?""Ainda vai sair hoje?"
"Estou indo para lá."
"Ainda estou convidado a ir?"
"Claro."
"Vou passar no vizinho e logo vou."
A festa já havia começado, e ele não parava de pensar em ir embora e sair pela noite. Acabara de dançar a quadrilha. Trocou de roupa, tirou o bigode postiço. Entrou no carro e foi ao centro da cidade. Encontrou a galera e foram para o posto beber. Com o tempo, a garrafa de vodca começou a fazer efeito. Ele então se sentindo só diante tantos, resolveu ir para casa.Chegou cansado. Tirou a roupa e se deitou. Cochilou. Telefone toca.
"Alô?" - sonolento
"Estava dormindo?"
"Deitado"
"Não estou legal. Você pode vir me buscar?"
"Não tem como. Já estou deitado"
"Ok. A gente se vê depois. Boa noite."
Ele de fato já tinha declarado guerra aos domingos, em especial ao dessa semana. Se ele sobrevivesse a esse os outros seriam fáceis. Ele acordou e como de costume já foi almoçar cercado por sua família. Seu pensamento estava longe. Ela ainda estava na cidade, e iria embora de noite. Faltava pouco agora. "Não tocarei nesse telefone hoje.", declarou a si mesmo. O tempo não passava. Deitou e cochilou. Pouco tempo se passou ele acordou e decidiu sair. Mas como de costume levou a mão ao telefone. Parou segurando ele no ar. Ligou.
"Tudo bem?"
"Tudo."
"Está ocupado?"
"Não pode falar."
"Onde você está?"
"Indo para casa da tia da Ana."
"Quer ir no cinema de noite?"
"Vamos. Quando desocupar te ligo."
Ele não sabia que se arrependeria daquele domingo. Foram ao cinema e viram o filme. O clima estava um pouco pesado. Discutiram por besteiras depois do filme, e resolveram conversar. Era de fato o fim de tudo para uma das partes. Lágrimas inundaram o carro. E o lugar escuro ficou ainda mais com o silêncio, quebrado repetidamente por soluços. Foram embora.
Segunda-feira. Foi trabalhar. O celular permanecia morto no bolso. Só sabia que estava ligado quando por algum momento o verificava. Chegou a tarde. Não tinha nada para fazer. Ligou uma vez. Duas. Foi para a faculdade terminar um trabalho. Fingiu que nada tinha acontecido. Terminou a aula, e fingindo uma extrema felicidade voltou para casa e adormeceu.
Chegou terça-feira no serviço e fez tudo muito rápido para o tempo passar. Em casa ele fez cinco ligações, todas bem sucedidas, de uma certa forma. Foi para faculdade acompanhado de uma profunda dor, que só o deixou na hora de dormir.
A quarta-feira estava esquematizada em sua cabeça. Mostraria que havia mudado. Não faria nada para não se arrepender. Chegou do serviço, e ligou.
"Hoje você vem né?"
"Vou sim mais tarde."
A tarde chegou. Assistiram um filme repetido e parecia estar dando certo. Mas o quarto o chamava. Entraram então no quarto. Começou o habitual abraço fraterno, e foi desenvolvendo. Mas sempre com uma exclamação de "Para!". Risos, caras sérias, abraços, beijos na nuca, no rosto. Mas então uma frase o fez parar.
"Me desculpe se eu fizer algo ruim no futuro."
"Hã?", perguntou. Não tinha entendido nada. Mas ficou preocupado. "O que poderia ser feito para me machucar?". Vestiu o resto da roupa e sairam do quarto. Comeram. Ele sempre sentiu fome depois de "namorar". Silêncio. Pegou as chaves do carro e foi para a faculdade. Resolveu que tudo mudaria. Aquela frase era um sinal de que precisava acabar. Com o que... não sabia. Sentou no banco da faculdade. Fumou um cigarro. Tentava deletar bons momentos de sua cabeça. Não conseguiu. Seria algo que aconteceria com o tempo. Tempo esse que começaria no dia seguinte.

Come up to meet you, Tell you I'm sorry
Vim pra lhe encontrar, Dizer que sinto muito,
You don't know how lovely you are
Você não sabe o quão amável você é
I had to find you, Tell you I need you
Tenho que lhe achar, Dizer que preciso de você,
And tell you I set you apart
E dizer a você que te deixei
Tell me your secrets, And ask me your questions
Me conte seus segredos, me faça suas perguntas
Oh let's go back to the start
vamos voltar pro começo

I was just guessing at numbers and figures
Eu só estava pensando em números e figuras,
Pulling the puzzles apart
Rejeitando seus quebra-cabeças
Questions of science, science and progress
Questões da ciência, Ciência e progresso
Do not speak as loud as my heart
Não falam tão alto quanto meu coração
And tell me you love me, Come back and hold me
Diga-me que me ama, Volte e me segure
Oh and I rush to the start
E eu corro pro começo
Running in circles, Chasing tails
Correndo em círculos, Perseguindo nossas caudas
Coming back as we are
Voltando a ser como éramos

Nobody said it was easy
Ninguém disse que seria fácil
Oh it's such a shame for us to part
É uma vergonha a gente se separar
Nobody said it was easy
Ninguém disse que seria fácil
No one ever said it would be so hard
Ninguém jamais disse que seria tão difícil
I'm going back to the start
Estou voltando para o começo

sábado, 28 de junho de 2008

1º episódio da 1ª temporada - "Piloto"

Era domingo. Uma sensação esquisita se passava dentro daquele ser. Acordou, tomou um banho. Vestiu uma roupa, sentou no sofá e olhou para o telefone. Não tocava havia um dia. Controlou a ânsia de ligar e saiu de casa. Foi resolver alguns problemas na rua. Estava irritado com algo que não sabia, até exato momento, o que era. Almoçou correndo e foi embora pra casa. Parentes e amigos lotavam a cozinha que agora estava sendo organizada, mas ele parecia estar tão sozinho. Sentia que algo de ruim estava chegando. Depois de algum tempo todos foram embora. Pronto! Realmente estava só agora. Deitou-se no sofá. Olhou novamente o telefone. Ele não tocaria mais? Resolveu tirar um cochilo para não fazer uma besteira. Apenas 30 minutos se passaram, e ele já estava sentado ao lado do telefone. Ligou. Chamou, chamou. Caiu na caixa. Decepção e medo invadiram a sua pessoa. Decidiu ligar o computador e mexer na Internet. Navegou por alguns instantes, e apenas um desejo vinha por sua cabeça, que se livrasse daquele sentimento o quanto antes.
O telefone então toca. Ele se levanta devagar, pensando quem poderia estar fazendo, o até então, defunto levantar.

“Alô?”
“Você me ligou?”
“Liguei. Eu queria saber como você estava.”
“Estou bem e você?”
“Não muito bem. Estou triste e com saudades.”
“Quer conversar?”
“Quero”
“Passa aqui”

Ao desligar o telefone, ele se apressa em arrumar. Pega o carro e sai mais uma vez. Lugar escuro para se conversar. Muita conversa e tentativas de explicações aconteceram. Ouviam-se choros. Não havia mais espaço para dois naquele carro. Não passou muito tempo ele já estava de volta em casa. Os olhos inchados. Com vontade de adormecer e não acordar mais. Viu um pouco de tv, e foi dormir.

Segunda-feira. Ao acordar, todo o dia anterior passou por sua cabeça. Um nó se instalou em sua garganta. Seu coração estava apertado. Foi trabalhar. No serviço estava calado. Não atendia telefone, não falava com colegas. Durante seu serviço uma grande surpresa. Seu celular toca. Ele observa o número. Atende ou não atende? A ligação cai.
Ele retorna a ligação.

“Você me ligou?”
“É que eu estou no shopping, e queria saber se a gente pode terminar o trabalho a tarde?”
“Pode sim”
“Como é que faz então? Eu vou pra casa? Você passa aqui...?”
“Eu te pego aí”

Após um tempo, quando já estava dentro do carro, ele sentiu um pequeno arrependimento por ter sido tão seco ao telefone. Estavam saindo do shopping, ele com fones de ouvido.

“Tira isso para poder ouvir o que estou falando”
“Desculpa”

Não diziam nada demais. Era apenas uma tentativa, frustrada, de manter uma amizade. Foram trabalhar. Passaram a tarde toda juntos. Ele sempre dava um jeito de se aproximar, de segurar em sua cintura e de fazer insinuações. Mas de nada adiantou, as terríveis memórias do dia anterior ainda estavam em sua cabeça. Mais um dia de trabalho se foi. Faltava pouca coisa para ser concluída. Chegando em casa ele foi direto para cama pensar no que poderia fazer para melhorar as coisas. Adormeceu.

Terça-feira chegou e se foi rapidamente. Apenas uma notícia marcou esse dia. Já era noite e estavam no lugar escuro. A notícia veio de repente. Uma menina de outra cidade chegaria no domingo. Ele parecia não ter onde pisar. Seu estômago parecia despencar de uma altura incrivelmente alta. Foi embora. Dormiu rápido.

Quarta-feira. Todo meio de semana ele se sentia bem disposto e alegre. Acordou cantando. Tomou um longo banho e foi trabalhar. Ao chegar no serviço, ele se lembrou de um início de semana péssimo e resolveu mudar as coisas. Pegou seu telefone e ligou para um primo que estava na cidade. Resolveu chamar alguns de seus amigos para conhecê-lo. Lá foram eles para o cinema, e depois para a pizzaria. Já era tarde quando ele entregou seu primo em casa e foi para o lugar escuro. Não estava só. Após muito conversar o que parecia impossível, no início da semana aconteceu! Ele sentiu-se feliz, mas preocupado com o que poderia acontecer no futuro.

Quinta-feira foi absurdamente chata. Seu trabalho estava uma porcaria e as horas parecia se arrastar. Nada de mais aconteceu.

Sexta-feira havia chagado finalmente, e com ela um cheiro de safadeza no ar. A parte da manhã passou tão rápido que quando ele se deu conta já eram 3 da tarde e ele estava em casa, mas não só. Foi uma tarde muito proveitosa para ele. Mas uma ligação quase estragou tudo.

“Tenho uma notícia não muito boa pra você”
“Era ele né?”
“Sim”
“O que foi?”
“Ela chegou”

domingo, 25 de maio de 2008

E quem disse que era para você entender algo?...

Sabe quando você encontra alguém especial em sua vida? Alguém que te faz esquecer velhos problemas e te dá ânimo para continuar seguindo em frente. Só de ouvir seu nome o coração dispara. Quando escuta sua voz ele acalma. Um abraço desajeitado no início, e que logo se torna o melhor e o mais confortante abraço que você poderia ganhar em um dia. Singelos apertos de mãos. Inesquecíveis passeios de carro de madrugada. Os filmes que se tornam menores e mais eficazes do que de costume. Tardes inteiras conversando e se conhecendo. Finais de semana preparando para a segunda. Conversas na Internet. Baladas em um sábado à noite. Convite inesperado na calada da noite.

Às vezes acho que tudo isso não passa de um teste. E que eu fui reprovado, e ainda não percebi. Mas por algum tempo eu ainda tentarei esquecer e fingir que nada aconteceu. E se 24 horas é muito tempo sem te ver, nós um dia passaremos as 24 horas juntos, pelo resto da vida...

“Ontem pela 1ª vez fiquei sem te ver”.
“Relaxa! Você passará uma vida comigo!”.

Ronaldo Moura (Kinney)

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Passei de ano (entenderam?)

Antes de qualquer coisa não tenho nenhum pretexto para ficar com esse blog ativo por mais de 6 meses. Não pretendo atualizá-lo todos os dias, talvez nem toda semana. Tentarei escrever uma vez por mês antes de abandoná-lo por completo. Posso escrever duas vezes ao dia quando tiver algo de muito interessante que possam se interessar.

Não esperem ver seu blog escrito aqui, somente se for de meu interesse, não farei propaganda de graça, tudo tem um preço, e não falo em dinheiro. Citarei casos reais e com personagens reais (sim colocarei seu devidos nomes se for de meu interesse), não pensando em transformar isso em um programa do Leão Lobo, mas algumas histórias merecem serem contadas.

Colocarei minhas lembranças de crianças, e minhas pretensões de adulto. Dicas interessantes e quem sabe testadas (by myself) de assuntos diversos serão relatadas aqui. Falarei bem de você quando estiver bem-humorado, mas não todos os dias. Não se assuste com a minha sinceridade que aparecerá durante a estadia desse blog. Não esconderei o que penso e acho de você, e estou me “fudendo” se vai gostar ou não.

Para aqueles que conseguiram ler até aqui, meus parabéns! Você de fato tem paciência, e garanto que irá querer ler essa chatice. Bem sem mais delongas vou me despedir de você. Como é um projeto novo, amanhã devo encher mais algumas linhas com as confissões de uma mente (não tão) doentia.

Ronaldo Moura (Kinney)

 
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