Ooo wah, ooo wah cool, cool kittyTell us about the boy from New York CityOoo wah, ooo wah c'mon kittyTell us about the boy from New York City
O sol nascia atrás de enormes arranha-céus. As avenidas começavam a mostrar alguns movimentos. Manhattan estava de fato acordando! Pessoas começavam a andar por entre os edifícios em um ritmo frenético. Limusines enfeitavam ainda mais as largas ruas. As janelas do topo do Empire States refletiam os primeiros raios solares que New York recebia. Um táxi para em frente de um prédio, e ele desce de dentro do carro amarelo. Pega a carteira e paga a corrida. O motorista abre a boca, mas ao invés de uma voz, eis que sai o barulho de um bip...
Ele acorda com um estranho pressentimento. Desliga o celular. Pensa em várias oportunidades de continuar deitado em sua cama. Afinal de contas sua vida andava uma total bagunça. Ele ergueu o tronco, sentou próximo à cabeceira da cama. Fez o sinal da cruz e foi em direção ao banheiro. Pelo corredor ele foi tateando as paredes no escuro, o sol ainda não havia saído por completo. Chegou no banheiro, tirou a roupa, e ligou a ducha. A água quente escorria por seu corpo. O vapor de água preenchia o banheiro. O sonho ainda claro em sua cabeça o fazia sorrir. Desligou a ducha, se enrolou na toalha e saiu correndo pela casa para fazer o frio passar. Chegou no quarto e deitou nu por debaixo das cobertas. Podia ficar ali por mais alguns minutos.
Quinta-feira começara oficialmente quando ele entrou em se carro e foi trabalhar. Acostumado com as ruas que percorria, foi devagar para aproveitar um pouco da preguiça. Só conseguia pensar que poderia dormir pela tarde. A manhã passou rápido, como de costume. Chegou em casa ainda cedo. Almoçou e resolveu ver um filme. Sua mão hoje não tocaria naquele telefone. Terminou o segundo filme. Estava na hora de ir para a faculdade entregar um trabalho e ter as merecidas férias. Chegou na faculdade e encontrou sua grande amiga Lídia. Conversaram por um bom tempo. Mas a pergunta que ele temia que alguém fizesse aconteceu.
“Você está realmente bem?”, perguntou preocupada.
“Estou sim.”
“Sabe que pode conversar comigo sobre tudo, não é?”
“Acho que sei.”
“Não há nada que não esteja ruim o suficiente, cabe a gente tentar melhorar as coisas e permitir ser melhorado.”.
Lídia sempre sabia o que falar para confortar o coração daquele pobre rapaz angustiado. Despediu com um abraço doloroso, e foi para sala de aula entregar o trabalho.
Dirigiu até em casa. Chegou cansado e resolveu dormir. Já era um pouco tarde, quando misturado aos seus sonhos ele escuta o barulho de seu celular. “Merda, nem descansei e já tenho que acordar”, resmungou. Abriu um olho pegou o aparelho e para sua surpresa era uma mensagem. Ele viu o número de onde viera a mensagem. Hesitou. Não sabia se queria alguma noticia àquela hora. E se não conseguisse dormir depois?
A curiosidade falou mais alto. Ele pegou o celular e viu.
“Pensei em você hoje. Amanhã vou ver se posso ir ai. Ok? Beijo”
Ele ficou encarando a mensagem. Seria verdade aquilo que estava escrito? Ou era só algum tipo de truque. De noite ele pensava coisas mirabolantes sobre sua vida. Os piores pensamentos sempre aconteciam durante a noite...
(Flashback)
Era madrugada de sábado. O Parque Flamboyant estava praticamente vazio. Eles caminhavam pela estrada que cortava o parque. Conversando sobre assuntos diversos. Era a primeira vez que saiam depois de ter a primeira discussão. Era para ser uma noite triste, mas eles souberam torná-la feliz.
Sentaram em uma casinha que ficava em cima de dois escorregadores. Lá contaram fatos e histórias de suas vidas. Conheceram-se melhor. A cada fim de caso, um estranho silêncio preenchia o ambiente. Se abraçaram lá em cima.
(Fim do Flashback)
A chegada de uma outra mensagem fez seus pensamentos voltarem para o presente.
“Ainda acordado? Não consegue dormir?... Senti muito sua falta hoje!”
Seu ponto fraco tinha sido atingido pela segunda vez. Ele mais do que ninguém adorava receber esse tipo de mensagem durante a noite. Respirou fundo e procurou ser racional. Enviou uma mensagem bem seca e sem muitos mimos, não que não quisesse, mas estava tentando ser racional. Voltou a dormir. Sonhou com pessoas. Diversas delas. Todas andando em uma só direção. Não conseguia ver o que era e para onde iam.
Sexta-feira. No trabalho ele parecia deslocado e desajeitado. A manhã demorou a passar. Antes de sair do serviço resolveu fazer uma ligação.
“Olá”, cumprimentou.
“Como você está?” (Porque todos faziam essa pergunta a ele?)
“Estou bem. O que você vai fazer hoje?”
“Terminar de limpar a casa. Por quê?”
“É que recebi suas mensagens e achei que a gente poderia fazer algo hoje.”
“Como o que?”
“Ir ao cinema, por exemplo.”
“Ok.”
Ao desligar o telefone ele se sentiu feliz e ao mesmo tempo apreensivo. Não queria ter aquele tipo de conversa novamente perto do fim de semana. Foi embora. Chegou em casa e se deitou na esperança do dia passar mais rápido. Chegou a noite. Ele levanta da cama. Toma um banho. Faz a barba. Coloca uma roupa. Passa um perfume. Pega as chaves do carro em cima da mesa. Entra no carro. Coloca uma música animada e vai para o shopping.
Ao chegar lá eles se encontram. Compram o ingresso do filme e caminha para fora do shopping. Sentados em uma mureta ele conversam.
“O que você está pensando?”
“Que está frio.” (Ele não queria ter nenhuma conversa séria aquela noite.)
“Eu falo sério”
Silêncio.
“Eu recebi as suas mensagens”
“E...?”
“E eu também fiquei com saudades suas”
“Meu coração estava apertado...”
“Está melhor agora?”
“Acho que sim”
O filme começou e eles se deram as mãos, durante todo o filme. Ao final da sessão parecia estar tudo bem. Resolveram passar em algum lugar para comer antes de irem para casa. Comeram. Mas a noite insistia em não acabar. Eles resolveram ir para o lugar secreto, onde se ouvia apenas o barulho de água. Queriam conversar.
Ele mal desligou o carro, e já se abraçaram. Nenhuma palavra foi dita. Apenas um abraço de saudade. Forte. Nessa noite se amaram, de novo.
O final de semana se anunciou com as primeiras palavras de inglês que ele falava na escola de línguas. Sábado costumava ser um dia muito bom. Mas nesse algo estava estranho. Ele chegou em casa e deitou no sofá esperando que aquela tristeza passasse. Não passou. O que passou foi o dia. A noite chegou e ele foi ao aniversário de uma prima. Ficou olhando o celular a toda hora esperando alguma ligação ou mensagem. E de repente chega.
“Sei que combinamos de sair hoje, mas minha mãe quer que eu fique aqui com ela. Amanhã a gente faz alguma coisa”.
(Flashback)
Desceram da casa em que estavam. Ficaram em cima da ponte olhando a água passar por baixo. Eles gostavam disso. De sentir um contato maior com a natureza. Conversaram sobre espíritos e fantasmas. Histórias assustadoras. E conversaram também sobre eles.
“Você pensa em mim?”, perguntou temendo a resposta.
“Penso. Todo dia”.
Ele ouviu algo que pensava que jamais poderia acontecer. Ninguém nunca tinha dedicado algum tempo para pensar nele. Aquele momento foi único em sua vida. E uma alegria encheu seu peito.
(Fim do Flashback)
O domingo chegou e foi embora com a mesma rapidez. Talvez pelo fato de terem passado juntos. E logo chegou a segunda-feira.
Segunda-feira vazia, na vida e no serviço. Nada aconteceu.
Terça-feira parecia estar igual, mas a noite recebeu um convite de ir ver filme. Durante o filme que passava na tv, eles ficaram desconcertados. Ele sabia que algo de ruim estava para acontecer. E quando se levantou para ir embora ele escutou o que não queria.
“Nós devemos ser só amigos agora!”
Tentou argumentar. Tentou mudar as coisas, mas já parecia estar tudo decidido. Nada do que ele falava parecia fazer diferença. Foi para casa triste. Entrou no quarto e deitou do jeito que estava.
Ele acordou na quarta-feira com o corpo doendo de frio. Tinha dormido com a porta aberta, e sem se cobrir. Foi trabalhar com um olhar triste em seu rosto. Estava percebendo que talvez devessem ser apenas amigos. O tempo passou devagar. Ele chegou em casa e deitou no chão. Almoçou pouco. Ainda estava pensativo quando se deu conta da hora. Pegou o telefone. Discou.
“Alô?”
“Sou eu. Vamos ao Parque Flamboyant?”
Já estava escuro quando eles sentaram em um banco para ler um livro. “Numerologia”. Leram seus nomes e fizeram algumas mudanças. Riram como se nada tivesse acontecido. E de repente se ouve.
“O que eu falei ontem é verdade. Seremos apenas amigos”
Ele acendeu um cigarro. Tinha que pensar. E isso ajudava e muito.
“É isso então que você quer?”
O silêncio que permaneceu já parecia ter dado a resposta.
“Eu tenho que te falar que não é isso que eu tinha na cabeça, mas se você quer que seja assim... é assim que vai ser. Eu me sinto bem só de estar perto de ti.”, ele declarou.
“Mas eu não quero que você mude comigo”
“Vamos a um lugar. Quero te mostrar algo.”
Ele sentou no banco do carro. Colocou o sinto. E dirigiu até uma rua escura onde por duas vezes choraram. Ele estacionou o carro. Tirou o sinto. Abraçaram-se. Ele se deitou dentro do carro.
“Nada vai mudar.”
Ali ficaram abraçados, com o som de grilos ao fundo, latido de cachorro. Mas o mundo para ele estava parado, pois só havia os dois dentro do carro. A Lídia estava certa mais uma vez. Devemos permitir as mudanças...
terça-feira, 15 de julho de 2008
1ª Temporada 3º Episódio - Nem tudo muda...
Postado por Mr. Kinney às 14:37
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3 comentários:
Parabéns! Seu texto é bom.
Sua historia bem agonizante.... ( envolvente )
Parece ser fatos reais.
Gostei.
Danillo Moraes
grande ronaldim, e amanhã, vamo assistir um filmim,
so para que durante as ferias nossas mentes nao fikem tao doentias.
abraço
maninho...
Orgulhoso!!! :)
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